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Este bom resultado é em parte explicado pela pandemia de COVID-19, mas tal aumento foi registado principalmente pelos pequenos retalhistas

“Um aumento esperado, originado pela pandemia de COVID-19, recorrentes lockdowns em todo o mundo e a necessidade de se deslocar o mínimo possível, que acabaram por levar os consumidores a realizar suas compras por canais digitais.” Este pode ser o pensamento lógico para a explosão de vendas apresentada pelo eCommerce em 2020, mas a pandemia não é uma explicação para o bom comportamento do setor na última década em todo o mundo.

O relatório de investigação feito pela organização Centre for Retail Research (CRR – Centro de Investigação de Retalho) com a Grã-Bretanha, Europa, Estados Unidos e Canadá, mostra que o setor de eCommerce é o principal impulsionador do crescimento do retalho europeu e norte-americano nos últimos anos.

Com a ocorrência da pandemia, iniciada entre o final de 2019 e o início de 2020, a fechar as fronteiras e a levar a sérias medidas restritivas, como o encerramento de todo o comércio, o caminho natural foi recorrer às compras online. Tal situação levou a uma mudança brusca no comportamento do consumidor: aqueles que já se utilizavam do meio digital por comodidade, segurança e/ou gosto, aumentaram significativamente a sua utilização, e quem ainda não o fazia, por insegurança ou mesmo desconfiança na idoneidade do sistema, passou a fazê-lo por ser este o único caminho possível para a aquisição de muitos produtos.

Segundo a empresa de investigação financeira Insider Intelligence, o aumento das vendas online registado em 2020 na Europa Central e Leste Europeu foi de 29,1%, enquanto a Europa Ocidental registou crescimento de 26,3%. Em relação à participação por categoria nos resultados, as lojas sem stock, conhecidas por “dropshipping”, registaram 77,7% de aumento nas vendas no período; as lojas de têxteis, de roupa e de calçado tiveram um crescimento de 30,9%; e as grandes lojas aumentaram em 29,7% as vendas no ano passado.

A diferença no crescimento do setor do eCommerce no último ano em relação à toda a década, é que a pandemia foi especialmente “benéfica” para os pequenos negócios online. Segundo dados da IMRG, a associação de retalho online do Reino Unido, embora também tenha havido crescimento online para médias e grandes empresas retalhistas, as empresas menores tiveram um desempenho particularmente bom, com resultados que chegaram a mais de 175% de crescimento anual nas vendas online nas primeiras semanas de abril de 2020, e mais de 425% de crescimento anual das vendas online pouco antes da Black Friday.

O bom resultado do meio digital levou as pequenas e médias empresas de todo o mundo a melhorarem – ou iniciarem – sua presença online. Muitos pequenos empreendedores com loja física descobriram que as redes sociais podem ser um ótimo meio de manter o contacto com os clientes, e passaram a vender por estas plataformas.

Portugal é o 3º país da Europa onde as empresas mais investiram em tecnologia digital durante a pandemia, segundo dados de um inquérito feito pela Connected Commerce Council, organização sem fins lucrativos que pretende promover o acesso de pequenos negócios às tecnologias e ferramentas digitais com o financiamento da Google. De acordo com este estudo, durante a pandemia, 90% das pequenas e médias empresas (PMEs) portuguesas aumentaram o uso de ferramentas digitais para encontrar clientes, enquanto a média da Europa foi de 80%.

Com relação ao comportamento do consumir português, o comércio digital aumentou o seu peso no total das compras digitais de 10% para 18%, desde o início da pandemia de COVID-19. Os dados da SIBS, entidade que gere o Multibanco, revelaram ainda que “nas compras digitais, os setores de comércio alimentar, retalho e material desportivo e recreativo apresentaram crescimentos mais acelerados, encontrando no comércio online uma alternativa para a quebra registada nas compras físicas”.